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Construtivismo 2

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Rigorosamente não é adequado utilizar o termo “construtivismo” para todo e qualquer tipo de conhecimento, uma vez que apenas os formais, os das lógicas e matemáticas, são construtivos. Nos conhecimentos formais há um encadeamento de enunciados que constituem um “edifício” conceitual. Não é factível aprender, por exemplo, funções sem antes dominar a teoria dos números e a geometria, uma vez que elas dependem destes conhecimentos.
No caso das demais ciências, tanto as naturais quanto as humanas, bem como os conhecimentos comuns (senso comum), o procedimento é reconstrutivo. Uma vez dito que há um fenômeno, o qual é definido pelo que se diz a seu respeito, o processo de conhecer visa reconstruir o verificado para o explicar. Para isso, os modelos ou metáforas permitem comparar o que se diz ser o fenômeno a conhecer com algo conhecido, transferindo-se significados de um para o outro. Uma vez estabelecidos os significados que se julga pertinentes à novidade, procura-se verificar se eles são efetivamente adequados ao que se apresenta. Reconstrói-se o fenômeno, se esse procedimento mostrar que a reconstituição é pertinente, então se diz que se obteve uma explicação.
A explicação, em seguida, pode ser apresentada como um encadeamento lógico, silogístico. Essa forma de apresentação tem por objetivo ensinar aos demais o que foi estabelecido por meio da reconstrução do fenômeno.
Assim, não parece correto utilizar a noção “construção social de conhecimentos” quando não se tratar de conhecimentos formais. O correto seria dizer “constituição social de conhecimentos”, pois assim se evitaria uma analogia imprópria como os processos próprios dos conhecimentos formais e os demais, que são reconstrutivos.