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Filosofia da Educação

Resenha do Doutrinas pedagógicas, máquinas produtoras de litígios.

Autora: Laélia Portela Moreira
Educação e Filosofia Uberlândia, v. 25, n. 49, p. 331-336, jan./jun. 2011. ISSN 0102-6801


Resumo
Em mais de uma ocasião, e em variados escritos, Tarso Mazzotti enfatizou a importância do diálogo e do debate como parte constitutiva do fazer científico e demonstrou a importância da Teoria da Argumentação como ferramenta essencial ao exame das teorias e doutrinas pedagógicas. Podese seguramente identificar como algumas das principais características da filosofia da educação, praticada por este autor, o rigor na apresentação das idéias e construção dos argumentos, além do amplo espectro de temas que aborda. Seu último livro, Doutrinas pedagógicas: máquinas produtoras de litígio, é um testemunho da originalidade inerente ao seu pensamento, que focaliza, dessa feita, o exame de algumas doutrinas pedagógicas, as quais, a partir do século XVII, operam direta ou indiretamente nos discursos a respeito da educação escolar.

link para a publicação

http://www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/13351/7640

Idendidade da profissão docentes

Há muito se debate a identidade da profissão docente. Deixarei de lado as referências, autorias e pesquisas, para centrar em um aspecto que me parece relevante: o que determina a identidade de alguma profissão?
A resposta usual é o reconhecimento das competências ou habilidades das pessoas que exercem a profissão. Tais habilidades são reconhecidas, de início, pelo profissionais, depois pelos usuários de seus serviços. Os profissionais reconhecem um conjunto da conhecimentos e proficiência na execução das tarefas; os usuários a efetividade (eficácia  efetividade) do fazer profissional. Por isso, a identidade de uma profissão depende tanto de seus profissionais quanto das demais pessoas, em particular dos que os contratam. O que implica a existência de algum modo de avaliação que pode ser menos ou mais subjetivo.

A avaliação do trabalho profissional contém, de maneira explícita ou não, as regras de conduta (ética profissional) estabelecidas pelo grupo de profissionais tendo em vista a sua respeitabilidade. Estas regras são as imediatamente verificadas pelos usuários (clientes), as que o grupo utiliza para censurar ou louvar os profissionais. Há regras determinam o modo correto de execução das tarefas, que os principiantes são menos hábeis, mas as normas éticas não distinguem os menos dos mais proficientes.

Qual a origem das normas do fazer? De uma tradição de trabalho, seja material ou imaterial. Elas estabelecem o ethos do grupo profissional, que sempre tem alguns considerados suas autoridades (líderes). Essas autoridades não apenas zelam pelo fazer bem feito, pois introduzem ou ratificam inovações.

Quando se trata da profissão docente tem-se afirmado que não há saberes próprios, uma tradição justificada ou justificável, sendo necessária uma Ciência da Educação.

No entanto, o requerido para uma profissão não passa necessariamente por alguma ciência, pois há as que se sustentam em conhecimentos tácitos de seus membros sem que se requeira alguma fundamentação científica. Um exemplo é a de maestro de orquestra, cuja competência não depende de alguma ciência, mas de suas habilidades pessoais reconhecidas pelos membros do grupo de maestros, músicos e amantes da música.

Se não é preciso uma ou mais ciência para sustentar conhecimentos relevantes para uma profissão, por que se requer isso para a profissão docente?
Eis uma questão a ser respondida...